Artigo: A volta do exílio

Foto: Portal Poções
Como 4 anos passam rápido, não é mesmo? Lembro-me perfeitamente da campanha de 2012: A perspectiva da sua chegada ao poder causava euforia; a possibilidade de ter um líder sindical como gestor do município era um sonho quase concretizado; a classe a que você se dizia representante trabalhava a todo vapor para conquistar votos, as calúnias eram repetidas em uníssono por seus discípulos até que fossem vistas como verdade; e você, o homem e a voz do povo, estava prestes a alcançar o ápice. No grande dia você e seu exército se vestem de vermelho e partem pra luta (tenho certeza de que você consegue reconhecer a ironia deste fato). A cidade de Poções amanhece escarlate e o adversário que tinha como cor oficial o laranja (seria um presságio do seu destino?), amarela. Antes mesmo que as urnas fossem abertas a sua vitória já era dada como certa e a comemoração tomou conta das ruas. Sim, lá se foram 4 anos. E o que você fez durante todo esse período? Bem que eu poderia fazer um balanço de todas as secretarias, mas vou me ater àquela que tinha tudo para entrar para a história como a melhor e mais preparada secretaria do município: A educação. Tinha tudo para dar certo. O ex vereador e defensor da categoria agora geria a pasta; a líder sindicalista se tornara vereadora; os diretores sindicais são decretados técnicos da secretaria em questão, os presidentes dos conselhos são todos companheiros do movimento e a categoria estava disposta a esperar pacientemente até o ano subsequente para conseguir o tão sonhado reajuste salarial decente. Afinal, em campanha você arrotava que o défice ultrapassava 100% do valor real do salário, culpa da má gestão e da falta de gerenciamento dos governantes que estiveram no poder. Mas você fracassou. E não demorou muito a perceber isso.
No primeiro ano você dava entrevista em todas as rádios e blogues sobre as contas e dívidas deixadas pela gestão anterior. Reajuste salarial alto? Não posso, a secretaria tem dívidas da gestão passada. Projetos na câmara em prol da categoria? Não posso, há muitas falhas na secretaria deixadas pela equipe anterior. Mudança de nível para os professores? Não posso, a gestão passada deixou a pasta quebrada. Por quanto tempo esse discurso iria durar? Para você durou os quatro anos, para a classe que você defendia anteriormente durou até o momento em que você os abandonou na negociação salarial.
O início do seu declínio foi o seu ego. Ser apenas um vice não era suficiente. Vice não aparece, não assina decreto, não tem cargo de primeira dama para a família. Aqui peço desculpas, quase havia me esquecido que sua esposa também conseguiu esse cargo no início do governo. Duas primeiras damas! Está aí uma coisa inovadora em sua gestão.
Voltemos ao seu ego gigantesco e a sua queda anunciada. Por ser secretário de administração foi você quem assinou o decreto de suspensão do enquadramento, que deu posse a todos seus afilhados políticos, quem empregou metade dos membros do seu partido, dentre tantas outras coisas tão comuns nesse meio, antes veementemente repudiadas por você. No segundo ano do seu governo, já sem apoio e sem aplausos de muitos dos seus ilustres colegas de luta, você começa a se exilar. Coitado, diziam alguns; Não ganha nem para síndico, falavam outros. Está acabado, muitos pensavam!
Olha, preciso confessar que você também quase conseguiu me enganar. Mas, sou um pouco mais esperto do que seus colegas intelectuais, mestres e cultos. Não chego a ser tão tinhoso como você, porém, nossos anos de convivência me fez perceber que você nunca recua para dar um passo atrás. Seu recuo é sempre estratégico.
E foi assim, nas sombras, que você afundou com um sindicato renomado e atuante. Como representantes direto da classe e, o mais importante, membros fiscalizadores de todos os conselhos do município (no caso do Fundeb, conselho de maior importância para a vida financeira dos funcionários, a presidente também faz parte da diretoria do sindicato), os seus ex colegas de luta até que tentaram, devo confessar que vi esse impasse de perto, mas era a classe ou você. Eles, que tanto denunciavam as gestões passadas em assembléias, que brigavam pelo direito de progressão em carreira, que lutavam para retirar os pagamentos indevidos da folha, que chamavam a categoria para a luta, tiveram que optar: era você ou a categoria. Parabéns, você foi o escolhido. Seu prêmio? A desmoralização e a morte do sindicato. Veja você mesmo. O que se tem hoje não é sequer uma sombra do que outrora havia sido. Sorte sua que essa classe tão sábia e esclarecida é, na verdade, como um rebanho de vaca encaretada que, apesar de valente, se deixa cobrir os olhos e ser conduzida por qualquer um que saiba produzir um som característico de comando.
Bem, seu sindicato veio a óbito, mas você está feliz. Ter a categoria longe das ruas fazendo terrorismo foi um golpe de mestre. Verdade que isso custou a exclusão permanente da atual gestão sindical nas decisões em assembleia. Afinal, que moral terão para abrirem e denunciarem qualquer gestão de agora em diante? A conivência em seu desgoverno os desmoralizou para sempre. Mas, antes ele do que você, não é verdade?
Seu massacre não parou por aí, havia muita gente que ficaria feliz em dar a vida por você. Por que não aproveitar, não é mesmo? Você, distante dos holofotes, na obscuridade, trabalhava incessantemente para eleger seu candidato a vereador. A boca que mexia era da sua equipe de técnicos, mas a voz era sua. Licença prêmio para escolhidos, mudança nível a quem te interessasse, horas extras para seus conchavos, funcionários saudáveis recebendo salários sem exercer função, cargos comissionados entupindo o cano e transbordando pelos ralos de uma política suja e partidária. Foi assim que você também matou alguns membros da sua equipe técnica. Logo eles que se diziam tão honestos e democráticos, hoje são vistos como partidários e demagogos. Triste fim de quem prefere a sua defesa cega e irracional. Eu já fui como eles, mas hoje estou limpo.
Você lutou, comprou, difamou, gastou e não ganhou. O que aconteceu? O que deu errado? Por que não saiu tudo como da última vez? Não precisa se corroer atrás de respostas. Ela é apenas uma e bem simples. Você na oposição é ótimo, mas na gestão é péssimo! Salários atrasados (nem adianta dizer que deixou dinheiro. Seu rebanho de cara vendadas pode até acreditar, eu já fui atrás da verdade); consignados em protesto, planos de saúde cortados por falta de pagamento, descumpriu ordem judicial para priorizar funcionários (mas pagou, dentre outros fornecedores, meio milhão a uma loja de material de construção cujo dono é seu aliado político – vi o extrato com o advogado do sindicato) além de muitas coisas erradas que consigo ver claramente.
Mas você, que diariamente deve usar óleo de peroba para lustrar a cara, ainda tem coragem de acirrar os ânimos contra a gestão que aí se encontra. E sabe por quê? Porque nisto você é bom. Bom em ser oposição inconsequente, bom em mentir, bom em por o outro em dúvida, bom em causar intrigas, bom em discurso falso, bom em quase tudo que não se deve fazer.
Não fui responsável por sua derrota, embora você me culpe por não ter votado em sua coligação. Muito menos votei na gestão que aí se encontra. Mas, reconheço que você os deixou em situação difícil e darei uma chance a eles antes de julgá-los. Sua esclarecida classe, com toda certeza, não irá nem se inteirar dos fatos. Coitados! Daqui a pouco já estarão aplaudindo o sindicato, fazendo protesto e, quem sabe, lhe convidando para as assembléias. Que sorte a sua, não é mesmo? Eles sofrem de amnésia (melhor dizer isso do que dizer que tem preguiça de saber a verdade. Dançam conforme a música toca. Independente de quem seja o DJ).
Eu, diferente deles, lhe faço uma jura. Você nunca mais verá meu voto. Nunca mais serei usado como massa de manobra. Nunca mais ouvirei um discurso seu sem me perguntar da sua real pretensão. Agora, estou em uma posição bastante cômoda. Fico ao seu lado, observando suas manobras e suas intenções.
Felizmente, assim como a maioria da classe que você faz parte, você também não enxerga além do que se propõe a ver. Seu ego é muito grande e acaba ofuscando sua própria visão.
Sinto por não poder dar-lhe as boas vindas pela volta do exílio. Na verdade, me sinto entojado só de ouvir sua voz.
Agora você já reivindica até os salários atrasados que sua própria gestão deixou. O irônico de tudo isso é que quatro anos atrás o mesmo ocorreu (com a diferença de que havia quase o valor da folha em caixa – agora só há dívidas) e você não pagou seus queridos companheiros de luta. O pagamento de dezembro só foi efetuado em fevereiro (lembro-me bem dessa parte porque fui terminantemente contra. Como sempre sua opinião prevaleceu), era importante desgastar políticamente o adversário.
Meu caro companheiro, os tempos são outros. Seu partido, se ainda tiver alguma pretensão política, terá que se reinventar. Proponho que faça o mesmo ou será o seu fim, o que para mim já é mais do que evidente.
Autor Descohecido
(77) 98150-5255






