{"id":29649,"date":"2014-08-26T00:26:33","date_gmt":"2014-08-26T03:26:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adelsonmeira.com.br\/v1\/?p=29649"},"modified":"2014-08-26T00:26:33","modified_gmt":"2014-08-26T03:26:33","slug":"a-guerrilha-das-midias-alternativas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldosudoeste.com.br\/v1\/2014\/08\/26\/a-guerrilha-das-midias-alternativas\/","title":{"rendered":"A GUERRILHA DAS M\u00cdDIAS ALTERNATIVAS"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_29650\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-29650\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-29650\" src=\"http:\/\/www.adelsonmeira.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/midia.jpg\" alt=\"banner \/ Reprodu\u00e7\u00e3o\" width=\"490\" height=\"268\" \/><p id=\"caption-attachment-29650\" class=\"wp-caption-text\">banner \/ Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 h\u00e1 consenso nas esquerdas pol\u00edticas e sociais brasileiras de que a m\u00eddia privada, controlada por meia d\u00fazia de fam\u00edlias, manipula informa\u00e7\u00f5es e deforma valores. Ela atua como \u201caparelho privado de hegemonia do capital\u201d, conforme a cl\u00e1ssica defini\u00e7\u00e3o de Antonio Gramsci. Ainda segundo o intelectual italiano, ela cumpre o papel de aut\u00eantico partido das for\u00e7as da direita. Esta postura, que atenta contra a democracia, hoje \u00e9 ainda mais agressiva. Como confessou recentemente Judith Brito, ex-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Jornais (ANJ) e executiva do Grupo Folha, a velha m\u00eddia adota a \u201cposi\u00e7\u00e3o oposicionista\u201d diante do governo Dilma, j\u00e1 que a \u201coposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 fragilizada\u201d. N\u00e3o \u00e9 para menos ela tamb\u00e9m passou a ser rotulada de \u201cPIG \u2013 Partido da Imprensa Golpista\u201d, a partir de uma ironia difundida pelo irreverente blogueiro Paulo Henrique Amorim. Diante desse poder ditatorial, in\u00fameros atores sociais j\u00e1 perceberam que t\u00eam dois desafios simult\u00e2neos e tit\u00e2nicos pela frente. O primeiro \u00e9 o de quebrar a for\u00e7a deste ex\u00e9rcito regular das classes dominantes. Da\u00ed a urg\u00eancia da luta pelo novo marco regulat\u00f3rio do setor, que hoje se expressa na campanha liderada pelo F\u00f3rum Nacional pela Democratiza\u00e7\u00e3o da Comunica\u00e7\u00e3o (FNDC) de coleta de 1,4 milh\u00e3o de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular (PLIP) da m\u00eddia democr\u00e1tica. O segundo \u00e9 o de multiplicar e fortalecer os ve\u00edculos pr\u00f3prios de comunica\u00e7\u00e3o das for\u00e7as populares, construindo uma m\u00eddia contra-hegem\u00f4nica que se contraponha \u00e0s manipula\u00e7\u00f5es do poderoso PIG. Estes instrumentos atuam como uma guerrilha no enfrentamento ao ex\u00e9rcito regular dos imp\u00e9rios midi\u00e1ticos, numa prolongada opera\u00e7\u00e3o de cerco e fustigamento.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do Brasil est\u00e1 repleta de ricas experi\u00eancias de constru\u00e7\u00e3o desta \u201cimprensa alternativa\u201d \u2013 desde os anarquistas, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, passando pelos comunistas durante v\u00e1rias d\u00e9cadas, at\u00e9 chegar \u00e0 heroica fase do jornalismo de resist\u00eancia \u00e0 ditadura militar. Na fase recente, estas iniciativas se multiplicaram, conectaram-se com as novas tecnologias e adquiriram novo impulso. Elas ainda n\u00e3o conseguiram se constituir em fortes ve\u00edculos nacionais contra-hegem\u00f4nicos, como j\u00e1 ocorre em outros pa\u00edses da rebelde Am\u00e9rica Latina. Mesmo dispersos, por\u00e9m, estes ve\u00edculos promovem a guerrilha informativa e incomodam os bar\u00f5es da m\u00eddia. O texto a seguir trata de quatro destas experi\u00eancias, que n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas: a imprensa sindical, a TV dos Trabalhadores, o movimento dos \u201cblogueiros progressistas\u201d e os novos coletivos de ativistas digitais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A for\u00e7a da imprensa sindical<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imprensa sindical, iniciada pelos anarquistas estrangeiros, pode ser considerada a origem da \u201cm\u00eddia alternativa\u201d. Ela enfrentou a viol\u00eancia das classes dominantes, com o empastelamento de v\u00e1rios jornais e a pris\u00e3o de centenas de gr\u00e1ficos e comunicadores populares. Na fr\u00e1gil democracia brasileira, in\u00fameras vezes abortada por golpes militares e ondas autorit\u00e1rias, a imprensa sindical atuou com coragem e dedica\u00e7\u00e3o, contrapondo-se aos ataques dos ve\u00edculos patronais contra as lutas dos trabalhadores por seus interesses imediatos e futuros. Ap\u00f3s o colapso das concep\u00e7\u00f5es anarquistas, os comunistas passaram a hegemonizar o sindicalismo e sempre trataram como prioridade a comunica\u00e7\u00e3o nas entidades de classe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O golpe militar de 1964, apoiado pelos mesmos bar\u00f5es da m\u00eddia dos dias atuais, interrompeu o avan\u00e7o das lutas dos trabalhadores. Os generais intervieram em centenas de sindicatos, prenderam seus l\u00edderes, nomearam \u201cpelegos\u201d e transformaram as entidades em \u201creparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas\u201d. A imprensa sindical quase faliu \u2013 restando apenas boletins de \u201ccolunas sociais\u201d, de confraterniza\u00e7\u00e3o dos velhos pelegos com os empres\u00e1rios e os carrascos da ditadura. Mas a luta dos trabalhadores n\u00e3o cessou, com a cria\u00e7\u00e3o de centenas de \u201cjornais de f\u00e1brica\u201d e a constru\u00e7\u00e3o de oposi\u00e7\u00f5es sindicais. Com a retomada do movimento grevista, no final da d\u00e9cada de 1970, a imprensa sindical voltou a florescer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisa realizada pelo ex-metal\u00fargico Vito Giannotti e pela jornalista Cl\u00e1udia Santiago, do N\u00facleo Piratininga de Comunica\u00e7\u00e3o (NPC), apontou a exist\u00eancia, no final dos anos 1990, de centenas ve\u00edculos sindicais. Somente nas entidades filiadas \u00e0 CUT, a maior central do Brasil, trabalhavam mais de 300 jornalistas, que produziam mensalmente quase 7 milh\u00f5es de exemplares de jornais e boletins. Como brinca Vito Giannotti, \u201cmaior do que a reda\u00e7\u00e3o cutista s\u00f3 existia a das Organiza\u00e7\u00f5es Globo\u201d. De l\u00e1 para c\u00e1, ocorreram muitas mudan\u00e7as na \u00e1rea, mas o movimento sindical n\u00e3o perdeu a sua for\u00e7a comunicativa. Ele passou a investir tamb\u00e9m em programas de radio e tev\u00ea, na internet e em outras ferramentas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o jornalista Jo\u00e3o Franzin, criador da Ag\u00eancia Sindical, esta vasta produ\u00e7\u00e3o tem papel fundamental na conscientiza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. \u201cA imprensa sindical brasileira publica mais de 10 milh\u00f5es de exemplares por m\u00eas, basicamente boletins e jornais, distribu\u00eddos nos locais de trabalho, entregues de m\u00e3o em m\u00e3o, no contato direto entre os sindicalistas e os trabalhadores\u201d. Para ele, ainda h\u00e1 problemas nesta comunica\u00e7\u00e3o, especialmente na linguagem e no trato dos temas nacionais. Mas ele garante que estes meios alternativos s\u00e3o decisivos para os avan\u00e7os da luta classista. \u201cA imprensa sindical informa, orienta e combate abusos. Ela ajuda o trabalhador a construir sua cidadania concreta\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia da TV dos trabalhadores<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi no bojo destes avan\u00e7os sindicais que nasceu a TVT, a primeira emissora outorgada a uma entidade de trabalhadores. Ela entrou no ar em 23 de agosto de 2010, resultado de 23 anos de press\u00e3o do Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC paulista sobre o governo. Formalmente, ela pertence \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Sociedade, Comunica\u00e7\u00e3o, Cultura e Trabalho, entidade cultural sem fins lucrativos, criada e mantida pelo sindicato. V\u00e1rios conte\u00fados pr\u00f3prios s\u00e3o produzidos pela equipe, em especial um jornal ao vivo de trinta minutos \u2013 \u201cSeu Jornal\u201d. Tamb\u00e9m foram firmadas parcerias com a TV Brasil e outras emissoras p\u00fablicas, que completam a grade de programa\u00e7\u00e3o. Os programas s\u00e3o transmitidos na tev\u00ea a cabo e pela internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A decis\u00e3o de investir numa emissora de televis\u00e3o, conhecida pelos elevados custos, evidenciou a compreens\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o sindical sobre o papel da comunica\u00e7\u00e3o na atualidade. Segundo Valter Sanches, presidente da funda\u00e7\u00e3o, a TVT emprega quase 100 profissionais. S\u00f3 com equipamentos foram investidos R$ 1 milh\u00e3o. O custo mensal da programa\u00e7\u00e3o gira em torno de R$ 400 mil. E para garantir a outorga da concess\u00e3o p\u00fablica, o sindicato precisou fazer um aporte financeiro de R$ 15 milh\u00f5es com recursos pr\u00f3prios na conta da funda\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, a outorga s\u00f3 foi conquistada em outubro de 2009, por meio de um decreto assinado pelo ex-presidente Lula, que se projetou na luta oper\u00e1ria do ABC paulista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos estes investimentos e esfor\u00e7os empreendidos, segundo Valter Sanchez, foram necess\u00e1rios e valem a pena para enfrentar as manipula\u00e7\u00f5es da m\u00eddia monopolizada. J\u00e1 nas greves oper\u00e1rias do final da d\u00e9cada de 1970 ficou evidente o \u00f3dio de classe das emissoras privadas de televis\u00e3o, que fizeram de tudo para satanizar os grevistas e derrotar o nascente movimento oper\u00e1rio. \u201cO sindicato abra\u00e7ou o desafio de esperar 22 anos na fila por uma concess\u00e3o de radiodifus\u00e3o porque percebeu a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica da comunica\u00e7\u00e3o. Entendeu que precisamos lutar, tamb\u00e9m, no campo da m\u00eddia\u201d. Para alavancar ainda mais o alcance da TVT, a funda\u00e7\u00e3o articula agora novas parceiras e novos investimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final de julho passado, a funda\u00e7\u00e3o firmou um acordo com a dire\u00e7\u00e3o do Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo para produzir novos programas e ampliar o alcance da transmiss\u00e3o. A TVT n\u00e3o consegue ainda mensurar sua audi\u00eancia, mas desde o ingresso na tev\u00ea a cabo, via NET, os sinais da vitalidade da emissora ficaram mais n\u00edtidos. A meta agora \u00e9 ampliar este alcance, dialogando principalmente com a juventude que saiu \u00e0s ruas na jornada de junho de 2013. \u201cAs pessoas buscam ter voz, querem divulgar suas a\u00e7\u00f5es. E para isso n\u00e3o existe espa\u00e7o na m\u00eddia tradicional\u201d, explica Valter Sanchez. Ele lembra que a TV Globo foi um dos alvos dos protestos juvenis, o que revela o despertar de maior senso cr\u00edtico na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O barulho dos \u201cblogueiros sujos\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O senso cr\u00edtico real\u00e7ado pelo dirigente da TVT tem buscado tamb\u00e9m outros canais de express\u00e3o, que se somam \u00e0s antigas formas de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade, como sindicatos, entidades estudantis e movimentos comunit\u00e1rios. Neste sentido, a brecha tecnol\u00f3gica aberta com a descoberta e a difus\u00e3o da internet permite que novos atores entrem em cena, produzam conte\u00fado e ampliem ainda mais o vasto campo da chamada \u201cm\u00eddia alternativa\u201d. No mundo inteiro, a experi\u00eancia do ciberativismo, que ganhou impulso no in\u00edcio do s\u00e9culo, desafia o poder dos imp\u00e9rios midi\u00e1ticos, resultando na queda abrupta da tiragem dos jornal\u00f5es, na redu\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia de emissoras de televis\u00e3o e na crise do seu modelo de gest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, o mesmo fen\u00f4meno est\u00e1 em curso e j\u00e1 provoca muito barulho, incomodando os bar\u00f5es da m\u00eddia. Atrav\u00e9s de sites e blogs, milhares de ativistas digitais fazem o contraponto \u00e0s manipula\u00e7\u00f5es da velha imprensa, divulgam os movimentos sociais, lutam pela amplia\u00e7\u00e3o da democracia no pa\u00eds. No seu esfor\u00e7o cotidiano da guerrilha informativa, eles ajudam a quebrar o monop\u00f3lio da palavra da m\u00eddia monopolizada. N\u00e3o \u00e9 para menos que geram tanto \u00f3dio das for\u00e7as autorit\u00e1rias, contr\u00e1rias \u00e0 verdadeira liberdade de express\u00e3o. Jos\u00e9 Serra, o eterno candidato deste setor, inclusive criou o r\u00f3tulo de \u201cblogs sujos\u201d para tentar estigmatizar estes militantes virtuais. Na sua irrever\u00eancia, os blogueiros at\u00e9 adotaram o t\u00edtulo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Leonardo Vasconcelos Cavalier Darbilly, em sua tese de doutorado para a Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, \u201co surgimento da blogosfera pol\u00edtica no Brasil, caracterizada pela diverg\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o ao posicionamento de grande parte da m\u00eddia tradicional, ocorreu ao longo da d\u00e9cada de 2000\u201d. O primeiro \u201cblog sujo\u201d foi o Viomundo, criado pelo jornalista Luiz Carlos Azenha em 2003. Em 2005 nasceram os blogs de Renato Rovai e Ant\u00f4nio Mello; Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, e o blog de Luis Nassif surgem em 2006; no ano seguinte nasce o Blog da Cidadania, criado por Eduardo Guimar\u00e3es; j\u00e1 o blog Escrevinhador, de Rodrigo Vianna, apareceu em 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste per\u00edodo, por todos os cantos do pa\u00eds \u2013 nas capitais e tamb\u00e9m em importantes cidades do interior \u2013 brotaram centenas de p\u00e1ginas pessoais que se contrap\u00f5em \u00e0s for\u00e7as pol\u00edticas conservadoras e que polemizam com a m\u00eddia tradicional. Muitos jornalistas, descontentes com a cobertura enviesada da chamada grande imprensa, utilizam esta ferramenta para expor as suas posi\u00e7\u00f5es criticas e independentes. Mas a blogosfera n\u00e3o se limita a este setor, permitindo que profissionais de diversas \u00e1reas exponham seus pontos de vista sobre v\u00e1rios temas. A maioria dos blogs ainda \u00e9 produzida de forma amadora, sem recursos financeiros ou apoio log\u00edstico. Em fun\u00e7\u00e3o destes obst\u00e1culos, muitos n\u00e3o resistem por muito tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim, a blogosfera foi se constitu\u00eddo num importante espa\u00e7o da m\u00eddia contra-hegem\u00f4nica. Ela atua como uma rede horizontal, sem a organicidade dos sindicatos e dos movimentos sociais estruturados, mas demonstra grande capacidade de interferir nos debates nacionais. O seu primeiro grande teste ocorreu elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2010, quando ela ajudou a desmascarar a cobertura partidarizada do famoso PIG. Com o tempo, os sites e blogs progressistas tamb\u00e9m se articularam, promovendo quatro encontros nacionais que primaram pela busca da \u201cunidade na diversidade\u201d. Hoje, a blogosfera \u00e9 um instrumento decisivo na constru\u00e7\u00e3o de uma influente m\u00eddia alternativa no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00eddia Ninja e os novos coletivos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro elemento decisivo neste rico processo foi o florescimento de novos coletivos digitais, que agregam jovens criativos e ousados nascidos na era da internet. O mais conhecido \u00e9 o M\u00eddia Ninja \u2013 nome do grupo \u201cNarrativas Independentes, Jornalismo e A\u00e7\u00e3o\u201d. Ele foi criado em 2011, mas ganhou proje\u00e7\u00e3o nacional durante da jornada de protestos do ano passado, que abalou o pa\u00eds. Usando c\u00e2meras de celulares e unidades m\u00f3veis montadas em carrinhos de supermercado, estes guerrilheiros virtuais transmitiram ao vivo centenas de passeatas, atos e choques com a pol\u00edcia em todo o Brasil. Em alguns momentos, eles chegaram a pautar a paquid\u00e9rmica e rancorosa m\u00eddia tradicional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O M\u00eddia Ninja teve origem na experi\u00eancia do P\u00f3s-TV, uma iniciativa inovadora organizada pelo coletivo cultural Fora do Eixo. Sempre identificado com as lutas libert\u00e1rias, ele cobriu a \u201cmarcha da maconha\u201d, a \u201cmarcha das vadias\u201d e as manifesta\u00e7\u00f5es em defesa dos povos ind\u00edgenas Guarani-Kaiow\u00e1. A partir da \u201cjornada de junho\u201d, por\u00e9m, ele passou a ser alvo das for\u00e7as de direita, sediadas nas reda\u00e7\u00f5es da chamada grande imprensa. Este ataque resultou numa maior aproxima\u00e7\u00e3o com os movimentos sociais organizados e com os setores da m\u00eddia alternativa. Como argumenta Rafael Vilela, integrante do coletivo, \u201cficou mais n\u00edtida a necessidade da uni\u00e3o com os movimentos sociais na luta pela democratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ele, a comunica\u00e7\u00e3o e o luta social s\u00e3o insepar\u00e1veis. \u201cPor isso entramos em lugares que a m\u00eddia convencional n\u00e3o vai. Damos voz direta aos personagens, sem intermedi\u00e1rios\u201d. Na sua vis\u00e3o, o \u201cM\u00eddia Ninja \u00e9 um laborat\u00f3rio de comunica\u00e7\u00e3o, que visa desmascarar o que a grande m\u00eddia edita e mostra como \u00fanica verdade existente\u201d. Do ponto de vista do futuro, Rafael Vilela defende que a iniciativa \u201cn\u00e3o \u00e9 nem deve ser um n\u00facleo de cobertura de protestos, mas sim um canal midi\u00e1tico cidad\u00e3o, trabalhando com diversas editorias, que v\u00e1 dos protestos ao lazer e \u00e0 cultura, sem abrir m\u00e3o da cr\u00edtica\u201d. Neste rumo, a experi\u00eancia \u00e9 uma importante contribui\u00e7\u00e3o ao fortalecimento da m\u00eddia alternativa no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por Altamiro Borges<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 h\u00e1 consenso nas esquerdas pol\u00edticas e sociais brasileiras de que a m\u00eddia privada, controlada por meia d\u00fazia de fam\u00edlias, manipula informa\u00e7\u00f5es e deforma valores. Ela atua como \u201caparelho privado de hegemonia do capital\u201d, conforme a cl\u00e1ssica defini\u00e7\u00e3o de Antonio Gramsci. Ainda segundo o intelectual italiano, ela cumpre o papel de aut\u00eantico partido das for\u00e7as da direita. Esta postura, que atenta contra a democracia, hoje \u00e9 ainda mais agressiva. Como confessou recentemente Judith Brito, ex-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Jornais (ANJ) e executiva do Grupo Folha, a velha m\u00eddia adota a \u201cposi\u00e7\u00e3o oposicionista\u201d diante do governo Dilma, j\u00e1 que a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1703],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldosudoeste.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29649"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldosudoeste.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldosudoeste.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldosudoeste.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldosudoeste.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29649"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.portaldosudoeste.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29649\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldosudoeste.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29649"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldosudoeste.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29649"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldosudoeste.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29649"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}