{"id":22755,"date":"2014-01-20T11:47:01","date_gmt":"2014-01-20T14:47:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adelsonmeira.com.br\/v1\/?p=22755"},"modified":"2014-01-20T11:47:01","modified_gmt":"2014-01-20T14:47:01","slug":"pocoes-adilson-santos-lanca-livro-em-evento-promovido-pela-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldosudoeste.com.br\/v1\/2014\/01\/20\/pocoes-adilson-santos-lanca-livro-em-evento-promovido-pela-cultura\/","title":{"rendered":"PO\u00c7\u00d5ES: ADILSON SANTOS LAN\u00c7A LIVRO EM EVENTO PROMOVIDO PELA CULTURA"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_22756\" style=\"width: 342px\" class=\"wp-caption alignright\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-22756\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-22756 \" alt=\"Adilson Santos\" src=\"http:\/\/www.adelsonmeira.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Adilson-Santos.jpg\" width=\"332\" height=\"442\" \/><p id=\"caption-attachment-22756\" class=\"wp-caption-text\">Adilson Santos<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas pessoas da minha gera\u00e7\u00e3o, dos 30 anos para baixo, n\u00e3o conhecem Adilson Santos nem sua obra. N\u00e3o sabem que este artista, nascido em Po\u00e7\u00f5es, pequeno no tamanho, grande em pinturas surrealistas e flamengas, carrega em suas tintas, em seus estreitos ombros, o nome da cidade mundo afora.\u00a0 Nesta sexta-feira,17, Po\u00e7\u00f5es recebeu o mundo, fez-se parte do mundo pelas p\u00e1ginas dos dois livros que comp\u00f5em a caixa de \u201cO Exerc\u00edcio Livre da Mem\u00f3ria\u201d. Al\u00e9m dos livros, a caixa tem um document\u00e1rio sobre Adilson Santos e traz tamb\u00e9m uma Po\u00e7\u00f5es de outrora, de um c\u00e9u e luar estonteantes, da igrejinha, dos quintais livres para se brincar com o pe\u00e3o\u2026 As pinturas e desenhos de Adilson dizem muito sobre Po\u00e7\u00f5es, sobre seus fundos de quintais. Enquanto o pe\u00e3o de Adilson Santos gira, gira e gira, as mem\u00f3rias dos que adentravam o Cerimonial Garden, para participar do lan\u00e7amento dos livros, s\u00e3o expostas e sentidas em cada passo dado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa que est\u00e1 \u00e0 mesa autografando. O olhar de quem chega est\u00e1 compenetrado, hipnotizado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3o que agora rabisca pe\u00f5es e nomes em um dos livros. \u00a0Quando os olhares se encontram, o do artista e dos velhos amigos, os sorrisos temem em se guardar para que os l\u00e1bios possam ficar livres e enfim pronunciar qualquer lembran\u00e7a; os abra\u00e7os parecem eternos. Adilson Santos tem diante de si o seu passado agora em carne e osso, e n\u00e3o somente em mem\u00f3rias, paletas, pinc\u00e9is, telas e papeis.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo dos livros faz jus ao final de tarde e restante da noite. A mem\u00f3ria dos que compareceram ao lan\u00e7amento esteve todo o tempo correndo naquele ambiente, como uma crian\u00e7a, entre uma Po\u00e7\u00f5es da d\u00e9cada de 1950 e a presente. Incans\u00e1vel, ela puxava para as mesas os fundos de quintais, os tropeiros, as casuarinas, o Alexandre Porf\u00edrio, Corinto Sarno, a Pra\u00e7a da Liberdade\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanta liberdade a mem\u00f3ria tem neste dia para desfilar entre uma boca e outra, entre um ouvido e outro suas hist\u00f3rias. Enquanto Adilson Santos ia autografando os livros, Michelle Sangiovanni narrava in\u00fameras delas. O ponto de partida para os relatos do filho de Amadeo Sangiovanni foi a chegada de mais um ilustre. Por toda minha vida ouvia em alguma esquina, em algum campo de futebol, em qualquer pra\u00e7a, o nome do maior jogador de futebol que Po\u00e7\u00f5es j\u00e1 teve. Ent\u00e3o, Michele diz \u2013 Jo\u00e3o Batatinha! Olhei para traz sabendo que ia encontrar uma pessoa m\u00edtica. Esse senhor de cabelos grisalhos, estatura m\u00e9dia, que adentrava o local sorrindo, era o grande ex-jogador Jo\u00e3o Batatinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cresci ouvindo esse nome e, agora, eu estava ali bem diante do maior de todos. Sentou-se \u00e0 mesa com uma simplicidade e simpatia colossal, ap\u00f3s alguns minutos do reencontro com Adilson Santos. Com Jo\u00e3o Batatinha, Michele, Carlos Riz\u00e9rio e Rita, esposa de Michele, o passado de Po\u00e7\u00f5es veio \u00e0 flora.<\/p>\n<table width=\"12\" border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"bottom\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"bottom\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Batatinha falava da Pra\u00e7a da Liberdade, que ele se recusa a cham\u00e1-la de Pra\u00e7a da Bandeira; lembrou do Obelisco e tamb\u00e9m das \u00e1rvores que parecem pinheiros, as casuarinas. Michele, ent\u00e3o, revela uma traquinagem de inf\u00e2ncia. Eles pegavam as pastas que cada estudante tinha e as colocavam em nos galhos das \u00e1rvores. Puxavam at\u00e9 embaixo e depois soltavam. \u201cAs pastas voavam longe\u201d. Para ele, foi inevit\u00e1vel n\u00e3o recordar os tempos de estudo no Alexandre Porf\u00edrio, a \u00fanica escola da cidade e com uniforme cor de c\u00e1qui que alguns alunos compravam e \u00e0s vezes o governo dava. \u201cEu sempre usava o do governo\u201d, conta Jo\u00e3o Batatinha em meio \u00e0 risada. \u201cEnquanto voc\u00eas estudavam eu ficava jogando bola\u201d, acrescenta. \u201cEle jogava bola de manh\u00e3, de tarde e de noite\u201d, Michele puxa \u00e0 mem\u00f3ria aqueles dias na Pra\u00e7a da Liberdade. Adilson Santos mais tarde senta e diz que o time tinha um bom quarteto formado por Zoma, Jo\u00e3o Batatinha, ele e\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Carlos Leto chega e Michele logo trata de dizer que \u00e9 preciso resgatar algumas tradi\u00e7\u00f5es italianas na cidade. Eu conhecia Jos\u00e9 Carlos Leto de nome, de sua liga\u00e7\u00e3o com o cinema, do grupo do Facebook Velhas Fotografias de Po\u00e7\u00f5es, que nos tem brindado com um acervo brilhante e foi criado por Lulu Sangiovanni. Tive ent\u00e3o o prazer tamb\u00e9m de conhec\u00ea-lo pessoalmente durante o lan\u00e7amento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre tantos nome e mitos que iam se juntando a n\u00f3s, Michele relembra de Corinto Sarno, que para ele foi um dos maiores homens que j\u00e1 viveu em Po\u00e7\u00f5es. Contribuiu para a chegada da energia el\u00e9trica, foi o primeiro a ter um aparelho de telefone, era um dos respons\u00e1veis pela constru\u00e7\u00e3o da Igreja Matriz, entre tantos outros atributos. \u201cMerece muito mais do que um nome de rua\u201d, diz inconformado. Ouvi atentamente Michele falar tamb\u00e9m sobre os tropeiros que tinham suas longas capas e chegavam na sexta-feira para dormir na cidade e vender suas mercadorias no outro dia. Falou da tipografia que Jo\u00e3o Batatinha ainda mant\u00e9m como uma heran\u00e7a de fam\u00edlia, do seu pai Alcides.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O passado e suas mem\u00f3rias est\u00e3o batendo \u00e0 porta. Deixemos entr\u00e1-los e vamos expandi-los. Como disse Lulu Sangiovanni em recente publica\u00e7\u00e3o em seu\u00a0<a href=\"http:\/\/blogdosangiovanni.blogspot.com.br\/2013\/12\/os-livros-de-pocoes-o-pintor.html\">blog<\/a>, \u201cOs lan\u00e7amentos dos livros de Affonso Manta e Adilson Santos coroam a cultura po\u00e7\u00f5ense\u201d. Tive sorte de presenciar os dois lan\u00e7amentos, a Antologia Affonso Manta, organizada por Ruy Espinheira Filho, lan\u00e7ada em Salvador em novembro de 2013, e agora \u201cO exerc\u00edcio livre da mem\u00f3ria\u201d, de Adilson Santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1 para c\u00e1, li os poemas de Affonso, apertei as m\u00e3os de Adilson Santos e quase me ajoelhei diante dos p\u00e9s de Jo\u00e3o Batatinha, o maior jogador que Po\u00e7\u00f5es j\u00e1 ouviu falar. Para Michelle, s\u00f3 n\u00e3o foi melhor que Pel\u00e9. Nossos her\u00f3is, mitos e personagens est\u00e3o aparecendo, est\u00e3o se materializando, por ora em livros, mem\u00f3rias alheias e fotografias. Precisamos ainda de muito mais, esse \u00e9 s\u00f3 o come\u00e7o, \u00e9 s\u00f3 o ponta p\u00e9 inicial, mas agora com Jo\u00e3o Batatinha e Adilson Santos em campo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Texto: F\u00e1bio Agra<br \/>\nFotos: Silvio Persi<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitas pessoas da minha gera\u00e7\u00e3o, dos 30 anos para baixo, n\u00e3o conhecem Adilson Santos nem sua obra. N\u00e3o sabem que este artista, nascido em Po\u00e7\u00f5es, pequeno no tamanho, grande em pinturas surrealistas e flamengas, carrega em suas tintas, em seus estreitos ombros, o nome da cidade mundo afora.\u00a0 Nesta sexta-feira,17, Po\u00e7\u00f5es recebeu o mundo, fez-se parte do mundo pelas p\u00e1ginas dos dois livros que comp\u00f5em a caixa de \u201cO Exerc\u00edcio Livre da Mem\u00f3ria\u201d. 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